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HISTÓRIA DA RAÇA NELORE


           As tribos arianas invadiram a Índia, desde 5.000 a.C., deixando muitas raças diferentes de gado por onde passavam. No Pundjab ficou a raça Bhagnari, que é muito semelhante ao Ongole,embora esteja a mais de 2.000 quilômetros de distância. No roteiro das migrações daquelas tribos, traçado por Olver, encontram-se diversas raças branco-cinza do norte indiano que foram surgindo no decorrer dos milênios, tais como a Nagon, a Rath, a Gaolao e a raça-mãe: a Hariana. A Índia chegou a ter mais de 500 "reinos", comandados por marajás e eles apreciavam diferenciar até o gado que possuíam daquele dos vizinhos. Por 550 existem até hoje muitas raças e variedades no país.
           As migrações percorreram a Índia do Noroeste para o Sudeste, encerrando-se na província de Andhra Pradesh e lá o gado Ongole iria se desenvolver, promovendo vários cruzamentos com raças locais. O livro "Nelore: a vitória brasileira" (1994) mostra que o Nelore moderno é fruto da influência de 14 outras raças.
          Em terras negras e férteis, o Ongole grangeou fama, tornando-se um gado de grande porte e campeão de trabalhos pesados.
          Na atualidade, o Ongole continua em sua marcha milenar, na Índia, sem grandes melhoramentos, uma vez que não se pratica seleção para corte. E, no entanto, um gado de grande porte, muito utilizado em tração e transportes pesados, além de ser figurante constante dos concursos de força - tudo desenvolvendo uma possante musculatura. Não há dúvida que a Índia continuará gerando "sementais" de interesse para o Brasil, sempre.

A CONSOLIDAÇÃO DO NELORE NO BRASIL


           Em 1874, o Barão do Paraná adquiriu um casal do gado Ongole em um zoológico de Londres, repetindo a compra em 1877. Em 1878, Manoel Ubelhart Lemgruber comprou um lote no jardim zoológico de Hamburgo. A seguir passou a encomendar animais diretamente da Índia por empresas especializadas no fornecimento de animais para circos e zoológicos. Dessa maneira, o Ongole foi descoberto pelos brasileiros e migrou para sua nova pátria, onde ocuparia um lugar de destaque no cenário e,partindo dali, chegaria ao mercado mundial. Mais tarde, entre 1900 e 1920, os próprios brasileiros começaram a buscar Ongole na Índia, escolhendo os melhores e reservando-os na província de Nelore, antes do embarque. Dai surgiu o nome "Nelore" para esse gado. Ou seja, o gado "Nelore" era o "Ongole destinado aos brasileiros" que ficava na província de Nelore enquanto aguardava o navio. Logo no começo da história, o Nelore era cruzado com o Guzerá, formando um "Guzonel" portentoso e muito rústico, que incentivou muita gente a escolher o Zebu. Foi esse gado que enfrentou uma longa "guerra" contra o governo de São Paulo, culminando pela proibição do ingresso do Zebu nas fronteiras do Estado até 1935.           Com o início dos cruzamentos sistemáticos para formar o Indubrasil as fêmeas Guzerá e Nelore passaram a ser utilizadas como base para o novo gado, reduzindo-se o rebanho nacional a poucos criadores, na década de 1920.           Com a importação de 1930, por Ravisio Lemos, o Nelore ganhou um inolvidável impulso, chegando caracterização racial que seria homologada pelo Registro Genealógico. Também nesse tempo, o Nelore brasileiro consolidava uma fisionomia um pouco diferente do Ongole indiano, apresentando uma marrafa mais estreita (influência do Kangayam), boa distribuição muscular, menor aptidão leiteira, chifres mais longos, introdução do chifre "penteado", consolidação de um andamento peculiar com passos mais curtos, etc. Nas exposições da década de 1940, o Nelore ainda constituía um rebanho inexpressivo, no Triângulo Mineiro, participando das exposições com menos de 10 animais, enquanto o Indubrasil e o Gir lotavam os pavilhões.
           Durante a 2ª Guerra Mundial, quando eram testadas novas forrageiras, principalmente o colonião e as primeiras braquiárias, o Nelore passou a ocupar largas fronteiras onde antes nada havia. Mostrava sua versatilidade e rusticidade, ampliando o horizonte da pecuária e da própria civilização. Um grande impulso aconteceu na década de 1950, quando o Prof. João Barisson Villares introduziu as Provas de Ganho de Peso, com presença maciça de Nelore. Dai para a frente a raça passaria a ser conhecida como a melhor para criação extensiva, apresentando estatísticas de desempenho em provas zootécnicas. Se, antes, muitos empresários evitavam a pecuária, por julgá-la "negócio complicado e subjetivo", agora havia números e estatísticas, permitindo que qualquer um pudesse compreender o próprio negócio, desde o inicio. O Nelore trouxe o empresariado urbano para dentro das fazendas... e nunca mais o largou.
           Logo a seguir, as importações do início da década de 1960 trouxeram animais exponenciais da Índia, provocando um acelerado melhoramento genético. Nas décadas de 1970-1980 o governo federal incentivou a implantação de mais de 1.500 grandes propriedades de pecuária de corte, todas utilizando exclusivamente reprodutores registrados Nelore, resultando em mais de 2,5 milhões de animais selecionados inscritos naquele período. Rapidamente, o Nelore chegou a 70% do total de zebuínos registrados no Brasil.
           A partir de então, a produção de carne deu um salto, aumentando o consumo per capita nacional.Modernamente, os pecuaristas procuram avidamente mais tecnologias para aumentar o desfrute e a lucratividade, tendo sempre o Nelore como base.
          Tamanho sucesso foi possível porque o Nelore demonstrou ser um animal "bandeirante", ou seja, um desbravador de novas fronteiras, não somente fronteiras geográficas mas também fronteiras científicas. O Nelore provou-se, por si mesmo, e conquistou seu lugar, principalmente pela habilidade da vaca em conceber e parir sua cria, sem qualquer ajuda, sob a inclemência do sol tropical. Hoje, pode-se afirmar que o Nelore é a raça zebuína com maior contingente pesquisado e aprovada no mundo, somente tendo paralelo com a raça européia holandesa.
           Em 1969 foi inaugurado o Registro Genealógico para o Nelore Mocho. Em 1984 foi inaugurado o Registro Genealógico para o Nelore "variedade de pelagens". Em 1999 ficou estipulado que o Nelore dispensaria as variedades passando a ser apenas uma única raça, admitindo o caráter mocho e as variedades de pelagens.

O NELORE NA MODERNIDADE


           Em 1999, o Nelore e o Nelore Mocho fundiram-se numa mesma raça, devendo ser julgados pelos mesmos critérios. Ou seja, o Nelore Mocho, como descrição, deve ser exatamente um Nelore tradicional ... sem os chífres. O Nelore predomina de norte a sul do país, com 75,32% do Registro Genealógico de Nascimento entre todas as raças zebuínas. O rebanho "cara-limpa", ou seja, de Nelore puro mas sem registro genealógico, congrega muitos milhões de animais. O rebanho de gado anelorado talvez já tenha ultrapassado a cifra de 100 milhões de cabeças. Sem dúvida, representa o maior rebanho de corte do mundo!
           Existem dois Nelores: o de elite, selecionado por um algumas centenas de criadores, com animais que nada ficam a dever aos melhores espécimes europeus do planeta; e o comum, mantido nos campos, com baixo desempenho e causador do baixo desfrute nacional. O melhoramento do gado geral é lento uma vez que o Nelore de elite vem passando por uma formidável aceleração nos últimos anos, não conseguindo - no entanto - produzir a quantidade necessária de tourinhos para atender a demanda. Por outro lado, o baixo desfrute brasileiro não é provocado apenas pela Genética mas, principalmente, pelo desestímulo governamental no tocante a um manejo correto das pastagens e da sanidade animal. Bastaria implementar um programa de melhoramento das pastagens e o desfrute nacional passaria dos 17% para algo como 27%. Com o manejo da sanidade, o desfrute chegaria aos 30% - similar a vários países do Primeiro Mundo. Dai para a frente, o melhoramento ficaria por conta da Genética.
          O Nelore, portanto, vai muito bem -como raça. E vai ficar ainda melhor quando o governo resolver construir, de fato, a "estrada do Nelore" , ou seja, a rodovia Transoceânica, que irá ligar o Atlântico ao Pacífico. Esta rodovia, já planejada há décadas, tão esperada pelos países vizinhos, semeará capim por milhares de quilometros e incentivará a criação de, no mínimo, 100 milhões de cabeças voltadas para a exportação de carne, tanto no Brasil como na Bolívia, Colômbia, Paraguai, Peru e Equador. Serão cabeças de Nelore!
           Existem 3.100 associados praticando o registro genealógico. Desde 1938 já foram registrados 3.996.534 animais. Do total, 688.271 foram registrados entre 1995 a 1999 (10 semestre). No Nelore, o ano recente de maior número de registros foi 1995, com 154.217animais. No Nelore Mocho, desde o inicio, já foram registrados 377.578 animais. Do total, 180.220 foram registrados entre 1995 a 1999 (10 semestre). No Nelore Mocho, o ano recente de maior número de registros foi 1997, com 26.654 animais. O progresso da raça Nelore pode ser observado na progressão das vendas de sêmen, a cada ano. É uma progressão firme, em direção a um melhor futuro.

O NELORE COMO ELE É


          O perfil é semiconvexo. O sulco profundo no centro da testa, saindo da marrafa e chegando ao início do chanfro recebe o nome de "goteira". As orelhas são curtas, com pontas em forma de lança. Os chifres são curtos, em geral, mas existem sete estilos admitidos: 1 - Estaca curta ou média; 2 - Penteado para trás, para os lados ou para baixo; 3 -chifres longos simétricos; 4- Lirado curto ou longo; 5 - Misorado curto ou longo ou para os lados; 6 - Assimétricos; 7 -"Banana". Em 1999, a raça passou a admitir o animal mocho como integrante da raça-pura. Olhando de lado, a linha reta paralela ao perfil que passa pelos olhos também passará pelo centro da inserção dos chifres. Olhando frontalmente, a linha perpendicular que passa pelos olhos também passa pela base dos chifres. O "nimbun" está em desaparecimento, devendo a marrafa mostrar-se preferencialmente estreita, reta ou semicôncava. A cauda é mais curta que no Ongole indiano, chegando apenas aos jarretes. Ubere de pequeno formato mas bem colocado com tetas pequenas ou medianas.
           Coloração branca, ou cinza claro. O Brasil admite, também, a pelagem vermelha ou a Vermelha e Branca e a Preta e Branca. A pele é escura mas é comum encontrar animais com manchas róseas. O passo é curto, típico de raça andeja: ao caminhar, a marca do pé jamais atinge a marca deixada pela mão.

O NELORE BRASILEIRO PARA O MUNDO


          O mundo inteiro tem os olhos voltados para o magnífico rebanho Nelore brasileiro, o Maior do mundo em escala comercial. Este rebanho vai ser responsável pela produção de carne tão desejada pela humanidade. Cada 1% de melhoramento genético na raça Nelore corresponde a milhares de toneladas de carne a mais para o mundo. Esse é um compromisso fantástico para uma única raça.
           Os criadores de gado de elite estão fazendo sua parte, elogiosamente, implantando Programas de Melhoramento Genético, e exibindo animais de alto desempenho. Para esses criadores já está claro que "o melhor cruzamento é de Nelore com Nelore" despontando um grande mercado mundial para a raça.
           Como exemplo, basta observar que os elevados impostos cobrados no Brasil tem levado pecuaristas a se instalarem nos países vizinhos como Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia -todos levando consigo o gado Nelore. Os próprios brasileiros, portanto, estão levando o Nelore para o mundo. Logo esta tendência atingirá outros países como os Estados Unidos e países africanos. Afinal, o Nelore é o gado "bandeirante", esteja onde estiver.           Por outro lado, o Nelore, rapidamente, passará a ser utilizado como reprodutor de vacadas européias, no Hemisfério Norte, tentando injetar alguma rusticidade para facilitar a convivência do gado diante do aquecimento da atmosfera terrestre. Este é um papel que cabe ao Zebu melhorado.
           As pessoas modernizam seu paladar e procuram alimentos mais saudáveis. De fato, os hábitos alimentares do mundo tendem á carne com baixo teor de gordura entremeada e, também aqui, é fundamental o papel do Zebu. Nestes casos, o Nelore é a raça que tem servido como exemplo dessa modalidade de carne e já ocupa a dianteira no processo de melhoramento genético entre as zebuínas. Essa vantagem irá beneficiar as exportações, cada vez mais.

A ORIGEM DA RAÇA QUARTO DE MILHA


          A raça Quarto de Milha foi a primeira a ser desenvolvida na América. Ela surgiu nos Estados Unidos por volta do ano de 1600. Os primeiros animais que a originaram foram trazidos da Arábia e Turquia à América do Norte pelos exploradores e comerciantes espanhóis. Os garanhões escolhidos eram cruzados com égüas que vieram da Inglaterra, em 1611. O cruzamento produziu cavalos compactos, com músculos fortes, podendo correr distâncias curtas mais rapidamente do que nenhuma outra raça.
           Com a lida no campo, na desbravação do Oeste Norte-americano, o cavalo foi se especializando no trabalho com o gado. Nos finais de semana, os colonizadores divertiam-se, promovendo corridas nas ruas das vilas e pelas estradas dos campos, perto das plantações, com distância de um Quarto de Milha (402 metros), originando o nome do cavalo.
           Foi fundada em 15 de março de 1940, a American Quarter Horse Association (AQHA), em College Station, Texas. Em 1946, a AQHA se transferiu para Amarillo, Texas, onde se encontra até hoje, tornando-se a maior associação de criadores do mundo, com cerca de 338 mil sócios e mais de 4,2 milhões de cavalos registrados, divididos em 43 países, representando 52% dos eqüinos em todo o mundo (dados até 31/12/2002).

QM NO BRASIL


           Tudo começou em 1955, quando a Swift-King Ranch (SKR) importou seis animais dos Estados Unidos para o Brasil, indos de sua matriz norte-americana, a famosa King Ranch, no Texas, a maior fazenda dos EUA.
           À medida que vários pecuaristas, banqueiros e homens de negócios tiveram a oportunidade de conhecer os animais Quarto de Milha, começaram a pressionar a SKR para que lhes vendessem alguns exemplares. A companhia atendeu a poucos criadores, vendendo um número reduzido de potros.
           Em 15 de agosto de 1969, foi fundada a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), no Parque da Água Branca, em São Paulo, onde se encontra atualmente.
           Hoje, o plantel brasileiro é composto, segundo dados fornecidos pelo Stud Book da ABQM, atualizados até 30/04/2003, por 283.420 mil animais registrados, com 38.069 mil criadores e proprietários e cadastrados, espalhados por todos os estados brasileiros. O presidente atual é Ovídio Vieira Ferreira.

QUALIDADE DA RAÇA


           O Quarto de Milha tem extrema docilidade, conseguindo partidas rápidas, paradas bruscas, grande capacidade de mudar de direção e enorme habilidade de girar sobre si mesmo. É adaptável a qualquer situação, transformando-se em instrumento de força, transporte e difícil de ser derrotado em provas eqüestres, além de melhorador de plantel. Considerado o cavalo mais versátil do mundo, é usado nas modalidades de Conformação, Trabalho e Corrida.

A INDÚSTRIA QUARTO DE MILHA


          O plantel Quarto de Milha no Brasil é composto por mais de 283 mil animais registrados, dividido entre 38 mil criadores e proprietários. Seus Haras distribuídos em mil hectares, consomem 75 mil toneladas de ração/ano. Esse consumo implica US$ 18,7 milhões de investimento. A mão-de-obra empregada diretamente também é bastante significativa, oferecendo 100 mil empregos diretos (média de 3 funcionários por criador ou proprietário), sem contar com veterinários, ferradores, carpinteiros, fabricantes de equipamentos e indústria de ração, entre outros.


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